Os Juizados Especiais Cíveis como instrumento de acesso à justiça: análise crítica da Lei 9.099 de 1995
Palavras-chave:
Acesso à justiça, Juizados Especiais Cíveis, Lei nº 9.099/95, Efetividade processual, Democratização da justiçaResumo
O presente artigo analisa os Juizados Especiais Cíveis como instrumento de concretização do acesso à justiça, examinando a efetividade da Lei nº 9.099/95 diante dos desafios enfrentados na prática forense contemporânea. Inicialmente, aborda-se o acesso à justiça como direito fundamental previsto na Constituição Federal de 1988, destacando sua importância para a efetivação dos demais direitos assegurados pelo ordenamento jurídico. Em seguida são analisadas as contribuições teóricas de Mauro Cappelletti e Bryant Garth, especialmente a teoria das ondas renovatórias do acesso à justiça, bem como as reflexões de Boaventura de Sousa Santos acerca da democratização da justiça e da necessidade de aproximação entre o Poder Judiciário e a sociedade. Posteriormente, examina-se o surgimento dos Juizados Especiais Cíveis, seus princípios orientadores e sua função de proporcionar uma prestação jurisdicional mais simples, célere e acessível. A pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental de dados estatísticos disponibilizados pelo Conselho Nacional de Justiça, buscando identificar os avanços e as limitações observados na atuação dos Juizados. Os resultados demonstram que, embora os Juizados Especiais Cíveis tenham ampliado significativamente o acesso da população ao Poder Judiciário, contribuindo para a solução de demandas de menor complexidade, persistem desafios relacionados à sobrecarga processual, à estrutura administrativa e à efetividade da prestação jurisdicional. Conclui-se que os Juizados permanecem como importante mecanismo de democratização do acesso à justiça, ainda que dependam de constantes aperfeiçoamentos para a plena realização dos objetivos estabelecidos pela Lei nº 9.099/95.